Caixa Federal: 4° Rodada da Campanha Salarial 2026
CONTEC
CONTEC cobra retirada de critérios que dificultam promoção na Caixa
A promoção por mérito concentrou as principais divergências da quarta rodada de negociação entre a CONTEC e a Caixa Econômica Federal, realizada nesta sexta-feira (31), em São Paulo. A entidade sindical rejeitou os critérios apresentados pelo banco para a concessão dos deltas e cobrou uma proposta mais justa. A reunião também tratou do Saúde Caixa, da PLR, da documentação dos empregados com deficiência e da redução das horas extras nas agências.
Pela proposta do banco, o acesso ao primeiro delta dependerá do cumprimento de uma quantidade considerada elevada de cursos. Para o segundo, a Caixa pretende levar em conta o resultado das agências, critério que, na avaliação da CONTEC, deixa de reconhecer o desempenho individual.
“A proposta apresentada pela Caixa é muito ruim. A quantidade de cursos exigida para chegar ao primeiro delta é muito grande e, no segundo, além do elevado número de cursos, o banco coloca o ‘alcance’ das agências como condição especial, sem valorizar o esforço individual dos empregados e das empregadas”, afirmou o coordenador da mesa de negociação CONTEC/Caixa, William Louzada.
A entidade solicitou a redução das exigências para a concessão do primeiro delta e a retirada do resultado das unidades como critério para o segundo. Também cobrou que os efeitos financeiros das promoções sejam pagos desde janeiro. Outro ponto de pressão foi o Saúde Caixa. O banco apresentou dados do relatório de administração que indicam déficit no plano. Diante do cenário, a Confederação defendeu maior aporte de recursos pela Caixa e a construção de um plano de custeio capaz de garantir o equilíbrio no longo prazo.
A representação dos trabalhadores também reforçou a cobrança pela retirada do teto de 6,5% previsto no Estatuto da Caixa para a participação da empresa nas despesas com assistência à saúde. A PLR também entrou na discussão. A CONTEC reivindicou uma proposta que valorize todos os empregados, inclusive por meio da PLR Social, e cobrou o pagamento mínimo de um salário-base para cada empregado. O tema deverá voltar à mesa nas próximas rodadas
Outros assuntos
A Caixa respondeu ainda aos questionamentos sobre a renovação da documentação dos empregados com deficiência. O prazo, que terminaria em 31 de julho, foi prorrogado para 31 de agosto. O banco também informou que reduzirá a quantidade de documentos exigidos para a renovação do reconhecimento da condição de pessoa com deficiência.
A redução dos recursos destinados ao pagamento de horas extras nas agências também provocou cobrança da CONTEC. A medida ocorre em um momento de aumento do movimento nas unidades, especialmente pela procura de motoristas de aplicativo por financiamento para compra ou troca de veículos. Além dessa nova demanda, as agências continuam atendendo o fluxo regular de clientes, o que amplia a preocupação com a sobrecarga dos empregados.
“A Caixa reduziu consideravelmente a dotação para o pagamento de horas extras justamente quando as agências estão mais cheias. Essa situação aumenta a sobrecarga dos empregados e precisa ser revista”, concluiu Louzada.
CONTRAF
Sindicato rejeita proposta da Caixa para Promoção por Mérito
O Sindicato, por meio da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, rejeitou a proposta apresentada pelo banco para a sistemática de Promoção por Mérito dos anos-base 2026 e 2027, na rodada de negociações desta sexta-feira (31). Para a representação das empregadas e dos empregados, o elevado número de requisitos e a inclusão do Alcance.Caixa dificultariam excessivamente a conquista dos deltas, sobretudo para quem trabalha na rede de agências, e impediria que o pagamento seja realizado em janeiro.
A discussão ocorreu durante a quarta reunião de negociações específicas com a Caixa, que integra a Campanha Nacional dos Bancários 2026. Além da Promoção por Mérito, a mesa tratou da remuneração variável, do Super Caixa, da PLR Social e do Saúde Caixa.
“A proposta apresentada pela Caixa não considera as condições reais de trabalho. Para conquistar o primeiro delta, seriam necessárias dez ações. Para o segundo, o empregado precisaria completar outras dez e ainda depender do resultado do Alcance.Caixa. Na prática, o banco criaria uma série de obstáculos para impedir que grande parte do quadro avance na carreira”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa e diretora do Sindicato, Luiza Hansen.
A Promoção por Mérito é uma conquista da organização dos trabalhadores e da negociação coletiva. Cada delta representa um acréscimo médio de 2,31% no salário-base dos empregados elegíveis. Ao propor que o Alcance.Caixa seja um dos critérios, o próprio banco admite que o pagamento seria realizado apenas após a divulgação do balanço anual da empresa.
No caso da progressão referente ao ano-base 2026, os representantes dos trabalhadores cobram que o pagamento seja efetuado em janeiro de 2027. Os deltas relativos a 2025 somente foram creditados em abril de 2026, reduzindo o efeito financeiro da progressão para os empregados.
Proposta dificulta acesso aos deltas
A Caixa propôs uma sistemática válida por dois anos. A definição antecipada foi considerada positiva pela representação dos empregados, mas não compensou os problemas existentes nos critérios. Para 2027, apesar de manter a estrutura do programa, o banco pretende divulgar as ações que integrarão cada bloco somente até o fim do primeiro trimestre daquele ano.
A proposta divide os requisitos dos empregados ativos em dois blocos: Saúde em Dia, formado por ações de capacitação, saúde e qualidade de vida; e Estratégia Caixa, composto por cursos vinculados ao planejamento estratégico do banco.

Os dirigentes ressaltaram que os empregados da rede de agências não possuem as mesmas condições dos trabalhadores das áreas-meio e da matriz para realizar uma grande quantidade de cursos durante o expediente. Mesmo o tempo de capacitação previsto no Acordo Coletivo de Trabalho não é assegurado em muitas unidades.
A representação reivindicou a redução expressiva do número de ações, a exclusão do Alcance.Caixa e a garantia de tempo efetivo, dentro da jornada, para capacitação.
A proposta prevê como impedimentos, entre outros pontos, menos de 180 dias de efetivo exercício no ano-base, estar na última referência salarial do PCS, penalidade de suspensão, registro de censura ética, reincidência de advertência nos últimos cinco anos, falta não justificada e contrato suspenso ou extinto.
A Caixa informou que analisará as ponderações apresentadas e deverá elaborar uma segunda versão da proposta. Um avanço confirmado pelo banco foi a aceitação dos comprovantes de vacinação contra a gripe emitidos pelo Sistema Único de Saúde, por clínicas particulares ou pela própria campanha interna da Caixa.
Super Caixa precisa ser negociado
Na discussão sobre renda variável, os dirigentes voltaram a reivindicar que o Super Caixa e quaisquer outros programas que gerem renda para os empregados sejam negociados com a representação dos trabalhadores. A CEE defende o “vendeu, recebeu” e o pagamento de bônus para todos, e que a distinção feita pelo banco entre “remuneração” e “premiação” não elimina o impacto desses valores na renda e na organização financeira das famílias.
A representação cobrou transparência, acesso permanente às informações de desempenho e definição de todas as regras antes do início do período de apuração. Também exigiu que os critérios não sejam alterados durante o ciclo e que tenham o mesmo grau de complexidade para empregados da rede, das centralizadoras, das áreas-meio e da matriz.
Os trabalhadores reivindicaram ainda a retirada dos índices de Negócios Sustentáveis (NS) e de satisfação dos clientes (CSAT) como redutores dos valores a serem pagos. E reforçaram ser inaceitável que o empregado entregue o resultado e depois perca o pagamento por causa de NS, CSAT ou de regras alteradas no decorrer do programa. Indicadores que, segundo eles, transformam uma suposta premiação em punição e aumentam a pressão e o adoecimento.
A representação manteve a defesa do princípio “vendeu, recebeu” e de bônus para todos. Segundo a CEE, os resultados são construídos coletivamente, inclusive pelos empregados responsáveis pelo atendimento social e pelos serviços que permitem que outros trabalhadores se dediquem diretamente aos negócios.
Dados divulgados pela própria Caixa reforçam a contribuição do quadro de pessoal para os resultados. Em maio de 2026, os prêmios de seguros emitidos pela Caixa cresceram 8,5% em relação ao mesmo mês de 2025, diante de alta de 5,9% no restante do mercado. No acumulado dos cinco primeiros meses, o crescimento da Caixa foi de 8,3%, contra 6,9% do mercado sem a instituição.
PLR Social
O Sindicato, por meio da CEE, também cobrou o pagamento integral da PLR Social. A minuta específica reivindica uma parcela equivalente a 6% do lucro líquido, distribuída linearmente, sem limite individual e sem compensação com a regra geral da PLR.
A pauta inclui ainda a eliminação dos atuais limitadores, transparência na metodologia de cálculo, acompanhamento pelas entidades sindicais e mecanismos de governança paritária na definição e validação dos indicadores.
A Caixa respondeu que a reivindicação está na mesa e será debatida posteriormente. Para a CEE, a PLR está entre as parcelas mais aguardadas pelos trabalhadores e precisa reconhecer efetivamente os resultados construídos pelo quadro de pessoal.
Os trabalhadores também cobraram em mesa o pagamento do 1% da PLR Social de 2020, que deixou de ser paga em 2021. O percentual a ser pago é de 4%, distribuído linearmente entre os empregados. Na ocasião a Caixa pagou apenas 3%.
Relatório do Saúde Caixa
Na segunda parte da reunião, a Caixa antecipou para os representantes dos trabalhadores o Relatório de Administração do Saúde Caixa referente a 2025. A divulgação pública será realizada na próxima segunda-feira (3). De acordo com os dados, o plano terminou o ano com 273.462 beneficiários, sendo 127.475 titulares e 145.987 dependentes. Ativos e seus dependentes representam 71% da carteira; aposentados e dependentes, 26%; e pensionistas e dependentes, 2%.
O custo assistencial total chegou a R$ 4,29 bilhões, crescimento de 22,38% em relação a 2024. As receitas efetivas somaram R$ 3,76 bilhões e as despesas totais, R$ 4,39 bilhões, resultando em déficit operacional de R$ 627,8 milhões, recomposto, segundo o banco, por mecanismos previstos no ACT e pela utilização da reserva técnica.
A CEE observou que a concentração de despesas na faixa etária acima de 59 anos, acompanha a própria composição da carteira e solicitou informações mais detalhadas sobre os custos por idade.
A representação voltou a defender a contratação de empregados. Além de reduzir a sobrecarga e melhorar o atendimento, a renovação do quadro contribui para ampliar e rejuvenescer a base de participantes do Saúde Caixa.
“A sustentabilidade do Saúde Caixa não pode ser buscada com mais cobrança sobre os usuários. A Caixa precisa colocar mais dinheiro no plano, restabelecer efetivamente o modelo de custeio 70/30. Também precisamos preservar a solidariedade, o mutualismo e o pacto intergeracional e garantir aos contratados após agosto de 2018 que a Caixa continue contribuindo com o custeio do plano na aposentadoria”, declarou Luiza.
Os trabalhadores cobraram ainda informações detalhadas sobre os custos administrativos e investimentos em tecnologia que permitam aos usuários conferir procedimentos, autorizar atendimentos digitalmente e colaborar com o controle dos gastos. O responsável pelo Saúde Caixa comprometeu-se a apresentar as informações solicitadas. A Caixa informou que deverá trazer novas respostas na semana seguinte.
Pendências das mesas anteriores
Na abertura da reunião, a representação dos empregados também cobrou respostas sobre reivindicações já apresentadas, entre elas o teletrabalho, o teletrabalho para pessoas com deficiência, a construção de novos PFG e PCS, os problemas provocados pelo sistema Gênesys e pela fila do Move Brasil, os processos seletivos internos, a contratação de empregados e as metas.
O banco informou que os temas continuam em análise e que apresentará propostas quando os estudos internos estiverem concluídos.

