1° Reunião da Campanha Salarial 2026: emprego, direitos e condições de trabalho
CONTEC
Campanha Salarial 2026: CONTEC abre mesa de negociação com a Fenaban
A CONTEC e a Fenaban iniciaram, nesta quinta-feira (2), em São Paulo, a mesa de negociação da Campanha Salarial 2026 dos bancários. O primeiro encontro teve como foco a defesa do emprego e a garantia de trabalho diante das mudanças no setor financeiro.
A reunião ocorreu após a entrega da pauta de reivindicações à Fenaban, no dia 24 de junho. Nesta rodada, a Comissão de Negociação da CONTEC começou a análise do eixo 1 da pauta, que trata de emprego, condições de trabalho e proteção aos trabalhadores. Segundo o presidente da CONTEC, Lourenço Prado, a discussão avançou sobre as primeiras cláusulas relacionadas ao tema, mas ainda sem acordo: “Começamos a negociação pelo eixo que trata do emprego e da garantia de trabalho, um tema central para os bancários. Debatemos as primeiras cláusulas apresentadas pela CONTEC, inclusive pontos relacionados à estabilidade provisória de emprego”, afirmou.
Durante a rodada, os representantes sindicais levaram à mesa a preocupação com a digitalização, a redução de agências, as mudanças no atendimento bancário e a terceirização. Para a CONTEC, a modernização do sistema financeiro não pode significar retirada de direitos, fechamento de postos de trabalho ou enfraquecimento do atendimento presencial. O secretário-geral da CONTEC, Davi Zaia, destacou a resistência dos bancos às reivindicações, mas reforçou a importância da negociação e da mobilização da categoria: “Os banqueiros vêm muito duros em aceitar nossas reivindicações, mas estamos trabalhando para melhorar as condições de trabalho e de vida dos bancários. A mobilização da categoria será fundamental”, disse.
Além do emprego, a reunião também abordou pontos ligados à Convenção Coletiva de Trabalho, saúde, segurança, cláusulas sociais e demais demandas apresentadas pela categoria. Para Gladir Basso, diretor de Assuntos Legislativos da CONTEC, a
campanha deve combinar a defesa do que já foi conquistado com a busca por novos avanços: “O importante é buscar a renovação da atual Convenção Coletiva de Trabalho e dos acordos coletivos, com a manutenção de tudo aquilo que já consta e avanços em novas cláusulas que reflitam as necessidades da categoria”, destacou.
As negociações continuam na próxima terça-feira (7), às 14h30, no Hotel Laghetto Stilo São Paulo, localizado na Rua Coronel Oscar Porto, 836, no bairro Paraíso, em São Paulo.
Fonte: CONTEC
CONTRAF
Em 1ª negociação da Campanha Nacional, Sindicato pleiteia mais vagas para PCDs, jornada 4×3 e garantia do direito à desconexão
Ocorreu nesta quinta-feira, dia 2 de julho, em São Paulo, a primeira mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), no âmbito da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. O encontro foi dedicado às cláusulas sociais da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com a apresentação das principais reivindicações da categoria para ampliar direitos e enfrentar os desafios das transformações no setor financeiro.
A mesa foi conduzida pela presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, e pelo vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius de Assumpção Silva. As reivindicações apresentadas pelos trabalhadores nesta mesa foram sobre cláusulas sociais relacionadas às:
a) Pessoas com Deficiência (PCDs)
b) Implementação da escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três dias de descanso
c) Defesa do teletrabalho e direito à desconexão
d) Segurança bancária digital
PCDs
Com base na RAIS, o Comando Nacional destacou que o setor bancário possuía 18,7 mil trabalhadores PCDs em 2025 – número que representa 4,5% da categoria bancária. Em 2012 esse percentual era de 2,4%.
“Apesar desse avanço, em termos de percentual, o setor registrou um decréscimo de bancários e bancárias PCDs: entre 2020 e abril de 2026, os bancos admitiram 7.840 pessoas com deficiência e desligaram 8.361, resultando no saldo negativo de 521 postos de trabalho para trabalhadores com deficiência na categoria”, destacou Vinícius Assumpção.
Diante desse quadro, o movimento sindical reivindica aumento de contratações de PCDs e que os mesmos tenham garantia de ascensão profissional. O Comando Nacional também reivindicou o abono de faltas em caso de necessidade dos trabalhadores PCDs e aos pais e mães de crianças PCDs, para tratamentos ou exames de seus filhos.
A Fenaban respondeu que analisará as demandas do Comando Nacional.
Escala de trabalho 4×3
O Comando Nacional destacou que o processo de automação e usos de novas tecnologias no setor viabiliza a implementação da escala 4×3: quatro dias de trabalho e três dias de descansos. O movimento sindical pontuou ainda que a redução de jornada teria o potencial de gerar mais de 429 mil empregos bancários – aumento de 103% do número de trabalhadores no setor.
“A redução da jornada resultaria em ganhos na qualidade de vida dos bancários, sem prejuízos à produtividade das empresas, como demonstram exemplos de outros países e de empresas aqui no Brasil, que já implementam a escala 4×3”, destacou a coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.
Após um ano do projeto-piloto com empresas brasileiras, a 4 Day Week registrou os seguinte resultados da implementação da escala 4×3:
a) 84,6% das lideranças recomendam a iniciativa para outras empresas.
b) 93,4% das pessoas relataram maior colaboração com suas equipes, indicando que o modelo incentiva trabalho em conjunto.
c) As empresas também colheram benefícios operacionais, com 61,5% de melhoria na execução de projetos, 44,4% mais capacidade de cumprir prazos, e 83,3% das organizações relatando melhorias nos processos internos.
Para os trabalhadores, alguns dos impactos da redução da jornada foram:
a) 88,7% responderam ter mais satisfação com seu trabalho.
b) 86,2% dos participantes relataram ter mais energia para dedicar à família e amigos, enquanto 58,5% disseram conseguir equilibrar melhor a vida pessoal e profissional.
c) 79,5% dos participantes relataram sentir-se mais alegres e de bom humor, enquanto 66,2% disseram sentir-se mais ativos e com vitalidade.
Sobre esta demanda, a Fenaban propôs um estudo conjunto com os sindicatos sobre os impactos e a viabilidade da implementação da escala 4×3 no setor bancário.
Teletrabalho e direito à desconexão
Neiva Ribeiro conduziu a negociação ao lado do vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius de Assumpção Silva
O Comando Nacional defendeu a manutenção do teletrabalho, como uma conquista importante da categoria, obtida desde as negociações de 2020, ano da pandemia.
“O teletrabalho promove a redução do tempo deslocamento, ganhos de produtividade e melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Por isso, a manutenção do home office é tão importante para a categoria”, reforçou Neiva Ribeiro.
A representação do movimento sindical também cobrou que os bancos garantam o direito à desconexão, para que os trabalhadores não recebam mensagens das empresas nos intervalos, momentos de repouso, feriados, férias, licenças legais ou convencionais.
Segurança bancária
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que entre 2023 e parte de 2026, foram registradas 340.140 fraudes digitais bancárias no país. Entre 2023 e 2025, o total de ocorrências cresceu 60,8%, passando de 74.371 em 2023 para 119.611 em 2025.
Neiva Ribeiro observou que o enxugamento de vagas de trabalho e de agências estão expondo a população às fraudes digitais. “A reivindicação da categoria é para que os bancos equilibrem o atendimento físico com o digital, para isso é necessária a ampliação de postos de trabalho e agências. Porque o crescimento do atendimento digital, tão somente, demonstrou-se inviável para conter as fraudes, que tem crescido ano após ano”, destacou a dirigente. “É preciso, ainda, regulação, fiscalização e ferramentas de segurança que protejam a sociedade”, completou Neiva.
Vinícius Assumpção completou que o número de fraudes financeiras digitais pode ser ainda maior, porque alguns estados, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, deixaram de colocar em seus boletins de ocorrências se os golpes financeiros registrados ocorreram em ambiente físico ou digital.
Ultratividade
Neiva Ribeiro destacou que 65% dos bancários apontaram como prioridade a manutenção dos direitos já conquistados pela CCT. “Por isso, é muito importante garantir a ultratividade, que é o princípio pelo qual as cláusulas da CCT continuam valendo mesmo após o fim da sua vigência, garantindo a manutenção de salários e direitos sociais até que um novo acordo seja firmado”, explicou a dirigente.
“Temos dois meses à frente para negociar a renovação da CCT e, este documento, se assinado pelos bancos, garantiria um conjunto de clausulas, conquistado ao longo de anos de esforços da categoria, para que a gente se concentre, nesta negociação, às novas reivindicações, como igualdade salarial entre homens e mulheres, melhoria na inclusão de PCDs, ambiente de trabalho sem metas abusivas, entre outros pontos”, completou Neiva, que também é presidenta do SEEB-SP.
A Fenaban, entretanto, se negou a assinar um documento de ultratividade, repetindo o comportamento de anos anteriores.
Próxima negociação
A próxima mesa de negociação no âmbito da Campanha Nacional acontecerá na terça-feira, 7 de julho, quando o movimento sindical reivindicará medidas em defesa do emprego.
Fonte: SEEB-São Paulo



