6° Rodada da Campanha Salarial 2026: Fenaban tenta transformar reivindicações em prejuízo
CONTEC
Fenaban tenta transformar reivindicações em prejuízo e segura proposta econômica
Após mais de nove horas de uma negociação que atravessou o dia, a Fenaban encerrou a sexta rodada sem apresentar um único índice aos bancários. Em vez de uma proposta econômica, os bancos levaram cálculos superestimados para tentar transformar as reivindicações da categoria em prejuízo ao sistema financeiro. A estratégia foi rebatida pela CONTEC, nesta terça-feira (4), que classificou os cálculos como superestimados e exigiu uma proposta econômica completa na próxima reunião. A exposição da Federação Nacional dos Bancos não trouxe respostas sobre reajuste salarial, ganho real, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), benefícios ou piso salarial.
O presidente da CONTEC, Lourenço Prado, afirmou que a Fenaban estudou a pauta, mas utilizou cálculos fora da realidade para elevar artificialmente o custo das reivindicações.
“Os bancos fazem provisões de forma muito conservadora e projetam prejuízos que, muitas vezes, não se confirmam. Depois, esses valores são revertidos e acabam gerando lucro para o sistema financeiro. Não é correto usar essas estimativas para criar um cenário de dificuldade e negar a valorização dos trabalhadores”, destacou.
Lourenço também contestou o uso das provisões contábeis para sustentar o discurso de prejuízo e aumento da inadimplência. Segundo ele, os bancos costumam fazer estimativas conservadoras que são revertidas e incorporadas aos resultados.
“Os prejuízos muitas vezes não ocorrem como foram projetados. Essas provisões são baixadas e acabam gerando lucro para o sistema financeiro”, destacou.
A Fenaban se comprometeu a apresentar uma proposta global na sétima rodada de negociação, marcada para a próxima quinta-feira (13), a partir das 10h. A expectativa da CONTEC é receber uma resposta que possa ser avaliada pelas entidades e submetida às assembleias dos sindicatos. A categoria reivindica reposição integral do INPC, aumento real de 5%, valorização da PLR, reajuste dos vales “Alimentação e Refeição” e elevação do piso salarial para cerca de R$ 8 mil, conforme cálculo do Dieese.
O presidente da Federação dos Bancários de Santa Catarina (FEEBSC), Armando Machado Filho, afirmou que a postura adotada pela FENABAN não corresponde à realidade econômica vivida pelos bancos e desconsidera a contribuição dos trabalhadores para os resultados do setor.
“Os bancos tentaram justificar a ausência de uma proposta concreta com um estudo que aponta aumento de custos. No entanto, o setor bancário segue registrando lucros recordes ano após ano. Esses resultados são fruto do trabalho dos bancários, que convivem diariamente com metas abusivas, sobrecarga de trabalho e um preocupante aumento dos casos de adoecimento físico e mental. Os bancos têm plena capacidade financeira para atender às reivindicações apresentadas pela CONTEC. A valorização dos bancários é uma questão de justiça e de reconhecimento por tudo o que a categoria entrega ao sistema financeiro.”
Para o presidente da Federação dos Bancários do Paraná (FEEB-PR), Gladir Basso, os números apresentados pelos bancos não justificam a ausência de uma proposta econômica.
“A inflação não se discute, se repõe. O INPC mais 5% de aumento real é factível diante da conjuntura do país e da situação do sistema financeiro”, afirmou.
Gladir também reforçou a cobrança por valorização da PLR e dos benefícios, melhoria do piso salarial, preservação dos empregos e interrupção do fechamento de agências.
“Os bancários contribuíram decisivamente para os resultados dos bancos. A categoria espera uma proposta que reconheça essa participação e traduza as necessidades dos trabalhadores de todo o Brasil”, concluiu.
A próxima reunião será no Hotel Laghetto Stilo São Paulo, no bairro Paraíso, na capital paulista – dia 13.
CONTRAF
Banqueiros, mais uma vez, não apresentam proposta. Bancários cobram aumento real!
Foi realizada nesta terça, 4 de agosto, em São Paulo, a sexta mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), no âmbito da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. Na mesa, os banqueiros não apresentaram uma proposta, adiando o retorno das reivindicações para a próxima negociação, em 13 de agosto.
A Fenaban trouxe para a mesa de negociação uma argumentação sobre a concorrência com instituições financeiras não bancárias e uma análise sobre o impacto das reivindicações da categoria na lucratividade e na ROE dos bancos, o que, segundo os bancos, poderia gerar mais demissões e fechamento de agências no setor caso atendidas na íntegra, argumento rechaçado pelo Comando Nacional dos Bancários diante do lucro, rentabilidade e patrimônio líquido dos bancos.
A Fenaban também sugeriu que a PLR não deveria ter reajuste, uma vez que os bancos possuem programas próprios de remuneração variável. O Comando Nacional dos Bancários rebateu, deixando claro que a PLR não se relaciona com os programas próprios e que não abre mão da valorização.
Ainda que Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) preveja a possibilidade de distribuir até 15% do lucro líquido, os grandes bancos privados distribuem, em média, um percentual bem menor: 5,9%.
O Comando Nacional dos Bancários ressaltou ainda que a minuta de reivindicações é unificada e foi construída de forma coletiva, refletindo as demandas da categoria em âmbito nacional.
Em relação às cláusulas econômicas, entre outros pontos, os bancários reivindicam 5% de aumento real (reposição da inflação mais 5% de reajuste) para salários e demais verbas; aumento no piso salarial da categoria, de forma que alcance o salário mínimo ideal calculado pelo Dieese (R$ 7.999,44); aumento maior para VA e VR; e valorização da PLR.
Banqueiros podem atender às reivindicações
Em 2025, os cinco maiores bancos brasileiros tiveram lucro de R$ 124 bilhões. Somente no 1º trimestre deste ano, os lucros atingiram R$ 29,8 bilhões. Em relação ao patrimônio líquido, no ano passado o setor bancário registrou o montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que a soma dos dois setores mais rentáveis do país, em 2025, que foram eletroeletrônica e mecânica, que, juntos, apresentaram patrimônio líquido de R$ 48 bilhões.
Já a cobertura das despesas com pessoal com a receita de tarifas dos cinco maiores bancos, uma receita secundária, foi de 123% em 2025. Ou seja, com o que cobraram dos clientes, os bancos pagam toda a despesa com pessoal, inclusive PLR, com sobra equivalente a 23%. Quando retirada a PLR da conta, essa cobertura sobe para 142%.
“Os bancos têm plenas condições de atender às reivindicações. Dos 7.858 reajustes salariais negociados até junho de 2026, 87,5% ficaram acima da inflação medida pelo INPC. Ou seja, com aumento real. Não há justificativa para que justamente um dos setores mais lucrativos do país se recuse a valorizar seus empregados”, avalia Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
“Desde 2014, a massa salarial real dos bancários acumula queda de 17%, sendo que, apenas no último ano, a retração foi de 2%, evidenciando o impacto das demissões e da redução do emprego. A expectativa da categoria é grande por aumento real, valorização da PLR, aumento maior nos vales refeição e alimentação e no piso da categoria. Os bancários também exigem o fim das demissões em massa e do fechamento de agências”, destaca a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
Igualdade de Oportunidades
Retomando os debates da mesa sobre Igualdade de Oportunidades, realizada em 16 de julho, a Fenaban trouxe para a mesa de negociação a consultora Carolina Cavenaghi, fundadora da Fin4She, iniciativa voltada à qualificação e ao fortalecimento da presença feminina no mercado financeiro, que abordou propostas de desenvolvimento e recolocação profissional para mulheres no setor bancário. Entre elas, um curso de formação.
Após a apresentação, o Comando Nacional dos Bancários enfatizou que a participação das mulheres em todo o setor está em queda, que elas seguem subrepresentadas nos cargos de liderança e recebem, em média, menos do que os homens.
“A proposta de um curso de formação, sobretudo, quando acompanhada de construção de uma rede de apoio entre as mulheres, é importante, mas isso não é suficiente para mudanças estruturais. Nosso desejo é que a Fenaban apresente, também, um plano de ação que corresponda às nossas reivindicações por mais contratações, igualdade de oportunidades, ascensão na carreira e salários iguais entre homens e mulheres”, destaca a presidenta do Sindicato.
“As desigualdades entre homens e mulheres começam antes mesmo da contratação. As mulheres enfrentam mais barreiras para ingressar no setor, muitas vezes por conta da sobrecarga com o trabalho de cuidados. Depois de contratadas, convivem com maior rotatividade, maior incidência de assédio, violência e impactos mais intensos na saúde mental. Soma-se a isso o chamado ‘teto de vidro’, que dificulta o acesso aos cargos de liderança, a penalização da maternidade e a dupla jornada. Enfrentar essas desigualdades exige um plano de ação que contemple a inclusão, permanência e ascensão das mulheres no setor bancário”, acrescenta Neiva Ribeiro.
Principais dados sobre a participação das mulheres no setor bancário
• Queda de participação: de 49,1% para menos de 47%, entre 2015 e 2025.
• Atualmente, em média, as mulheres bancárias ganham 18,4% a menos do que os homens.
• Se nada for feito e considerando o ritmo histórico e recente (entre 2016 e 2025) de evolução, levará 40 anos para as mulheres e homens ganharem igual no setor bancário.
• Em 2025, as mulheres ocupavam 47,7% dos cargos de liderança.
• Entretanto, a remuneração delas nesses postos é 26% inferior à dos homens em funções similares.
• Considerando o recorte racial, as pessoas negras (homens e mulheres) ocupavam 25,2% dos cargos de liderança.
• As mulheres negras (pretas e pardas) ocupavam 9,7% dos cargos de liderança.
Próxima negociação
A próxima mesa de negociação está agendada para o dia 13 de agosto.
“Cobramos que os banqueiros apresentem uma proposta global compatível com um dos setores mais lucrativos e rentáveis da economia. Estaremos mobilizados, em todo o país, bancários e bancárias de bancos públicos e privados, movidos pela valorização”, conclui a presidenta do Sindicato.

