COE Itaú cobra soluções para fechamento de agências, demissões, reestruturação e plano de saúde
A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC) e a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniram virtualmente nesta quarta-feira (28/8) com representantes do banco para tratar de temas que afetam diretamente os trabalhadores. A reunião foi conduzida pelo coordenador da COE, Eduardo Israel.
Fechamento de agências preocupa trabalhadores
O Itaú confirmou que o processo de fechamento de agências continua em andamento, com previsão de 10 a 15 encerramentos até dezembro. A CONTEC questionou como se dará a realocação dos funcionários e denunciou falhas na comunicação com sindicatos e clientes. Também houve cobranças quanto ao tratamento dado a dirigentes sindicais durante esse processo.
A COE também questionou o encerramento de agências que mantinham contratos de folha de pagamento com prefeituras que exigiam a manutenção de atendimento. O encerramento se deu sem a devida comunicação prévia com o poder público local, gerando descumprimento contratual. Relações Sindicais alega que existe uma área especifica que trata desse assunto, mas que irá apurar os casos com a devolutiva para a base sindical afetada.
O banco apresentou os seguintes números atualizados:
• 72 agências encerradas na base da CONTEC
• 4 agências encerradas na base da FEEB-SC
• 25 agências em fase de encerramento no Brasil
• 2 agências em encerramento na base da FEEB-SC
Ao todo, 229 colaboradores foram impactados:
• 85% realocados
• 11% não realocados
• 4% pediram demissão
Mudanças no modelo de atendimento
O banco apresentou o modelo Espaço Itaú de Negócios, unidades sem circulação de dinheiro voltadas à comercialização de produtos. Dirigentes levantaram preocupações com a segurança, especialmente pela ausência de porta giratória e vigilantes. A COE mostrou preocupação com o esse modelo, que embora não haja a circulação de dinheiro dentro da agência, existe anexo os caixas eletrônicos que são abastecidos por terceirizados. Para Eduardo, o local fica totalmente vulnerável à ação de criminosos, pois não há qualquer barreira que impeça a prática de atos delituosos, o que gera insegurança no local de trabalho.
Também foi discutida a plataforma Pró-Smart, que migra gerentes do segmento PJ do varejo para esse novo modelo de atendimento. A COE alerta para os riscos de sobrecarga, metas abusivas e impactos na sindicalização.
A COE questionou o banco sobre o prefixo de lotação dos funcionários vinculados aos modelos EMP e PRO SMART, e sobre o novo modelo de remuneração variável, que passa a ser semestral, com possibilidade de bonificação adicional (PLUSH) para quem se destacar.
Quanto ao prefixo de lotação para os funcionários migrados para o modelo PRO SMART, o banco garantiu que não haverá alteração da base sindical. Para as demais plataformas, o banco informou há um estudo para essa demanda.
Plano de saúde dos aposentados
Outro ponto central foi o plano de saúde dos aposentados. A COE destacou a importância de transparência sobre a composição dos valores e alertou para aumentos significativos após a aposentadoria.
A CONTEC e a COE acompanham esse tema que já foi objeto de conciliação no MPT e de audiências públicas. O Itaú justificou que, ao se desligar da empresa, o funcionário deixa de receber o benefício, o que eleva o custo do plano. Segundo o banco, a maioria dos envolvidos saiu por meio do PDV (Plano de Demissão Voluntária).
Assédio, racismo e conduta antissindical
Houve relatos de assédio, racismo e restrições ao acesso de dirigentes sindicais em sistemas internos. Dirigentes sindicais não estavam conseguindo acessar o mapeamento do Programa Desenvolve. A COE exigiu apuração e medidas imediatas. O banco reconheceu erro de comunicação e informou que os dirigentes que atuam nas agências já tiveram o acesso restabelecido.
Também questionou o uso do Conecta e da geolocalização, pedindo garantias de que a ferramenta não seja usada para vigilância abusiva. O banco garantiu que não há rastreamento para o acesso do IU Conecta. No entanto, representantes de Relações Sindicais confirmaram que, nos casos em que a geolocalização indica locais incompatíveis com a jornada de trabalho remoto, como academias por exemplo, houve desligamentos por justa causa.
Capacitação e oportunidades
O Itaú informou sobre programas de capacitação em tecnologia e possibilidades de migração para a área de TI. A COE defendeu que esses treinamentos sejam ampliados e acessíveis a todos os trabalhadores, especialmente para evitar demissões em massa, possibilitando a realocação e retenção de funcionários.
PDV – Programa de Demissão Voluntária
Diante do cenário de fechamento de agências e aumento do desemprego, os representantes dos trabalhadores questionaram o banco sobre a possibilidade de abertura de um novo PDV. O Itaú foi enfático ao afirmar que não há previsão de lançamento de novo programa de demissão voluntária e que não faz sentido lançar um incentivo por adesão com posterior ajuizamento de ações trabalhistas questionando prazos e custeio de planos de saúde, por exemplo.
Encaminhamentos
A reunião encerrou-se com o compromisso de continuidade do diálogo. A CONTEC e a COE reiteraram a necessidade de respeito aos trabalhadores, transparência no processo de reestruturação e valorização da categoria. “Estamos atentos e vamos cobrar soluções para que os bancários e bancárias tenham a garantia de emprego e dignidade diante de tantas transformações no setor financeiro”, reforçou Eduardo Israel.