Movimento sindical propõe aos bancos compromisso permanente pela saúde dos bancários
Em rodada de negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), realizada na sexta-feira, 15 de maio, o movimento sindical voltou a cobrar providências concretas das instituições financeiras para enfrentar o crescente adoecimento da categoria, sobretudo no que diz respeito aos transtornos mentais e emocionais, defendendo a construção de um compromisso permanente em defesa da saúde dos trabalhadores.
O debate sobre saúde é hoje uma das pautas mais urgentes da categoria bancária. Os índices de adoecimento, especialmente relacionados à saúde mental, seguem alarmantes e têm relação direta com o modelo de gestão imposto pelos bancos, marcado por metas excessivas, monitoramento constante, precarização das unidades e intensificação do trabalho. É preciso avançar na construção de ambientes laborais mais humanos e seguros, estabelecendo um verdadeiro compromisso do setor com a saúde dos bancários.
Dados apontam agravamento do adoecimento no setor financeiro
Os números apresentados durante a negociação revelam a gravidade do cenário enfrentado pela categoria e pelo ramo financeiro:
- Os afastamentos acidentários relacionados à saúde mental no setor financeiro saltaram de 9,3% para 20% entre 2012 e 2024, registrando o maior crescimento proporcional entre todos os setores econômicos do país;
- Em 2012, a maior parte dos afastamentos acidentários entre bancários estava relacionada a doenças osteomusculares e do tecido conjuntivo (48,7%). Já em 2024, os transtornos mentais e comportamentais passaram a liderar as causas de afastamento, representando 55,9% do total;
- Em 2024, o país registrou 180,3 mil afastamentos acidentários, sendo 2,81% referentes à categoria bancária, embora os bancários representem apenas 0,9% dos empregos formais nacionais;
- Entre os afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, os bancos múltiplos com carteira comercial ocuparam a primeira posição em afastamentos acidentários por saúde mental, com 1.946 registros, além da quinta posição em afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências em 2024;
- A categoria bancária responde por 25% dos afastamentos acidentários relacionados à saúde mental e por 3,3% dos afastamentos previdenciários dessa natureza.
Reivindicações apresentadas pelos bancários
A proposta é estabelecer um compromisso efetivo em defesa da saúde dos bancários, alterando o atual quadro de adoecimento da categoria, especialmente no campo da saúde mental, profundamente impactado por modelos de gestão sustentados em pressão e metas abusivas. Entre os principais pontos defendidos pelo movimento sindical estão:
- Participação ativa dos trabalhadores na implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que determina o gerenciamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, incluindo sobrecarga, pressão por metas, conflitos e assédio moral, buscando prevenir burnout e outras doenças mentais;
- Cumprimento integral das NR-17 e NR-7, normas já vigentes que estabelecem, respectivamente, a adaptação das condições de trabalho às capacidades psicofisiológicas dos trabalhadores e ações de prevenção, monitoramento e diagnóstico precoce de doenças relacionadas ao trabalho;
- Debate aprofundado sobre metas abusivas e seus impactos na saúde física e emocional dos trabalhadores;
Levantamento, por parte dos bancos, dos casos de afastamento e de suas causas, com apresentação de dados epidemiológicos e documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme previsto na NR-1; - Combate aos fatores de risco psicossociais, como excesso de metas, sobrecarga, hipervigilância algorítmica e assédio moral.
Questionamentos sobre “metas negativas”
A representação dos trabalhadores também denunciou a prática das chamadas “metas negativas”, em que empregados sofrem punições quando clientes cancelam produtos ou antecipam contratos já realizados, resultando em perda de comissões, redução da remuneração variável e até aplicação de advertências.
Pressão sobre trabalhadores afastados
Outro tema levado à mesa foi o aumento das denúncias envolvendo trabalhadores afastados por motivos de saúde que vêm sendo convocados para avaliações com médicos indicados pelos bancos e pressionados a retornar às atividades antes da conclusão do tratamento médico.
Resposta da Fenaban e próximos encaminhamentos
A Fenaban afirmou que pretende discutir a aplicação da NR-1 somente após sua entrada efetiva em vigor, prevista para 26 de maio. A entidade patronal concordou com a participação dos trabalhadores e do movimento sindical no debate, mas reiterou o entendimento de que a implementação e gestão da norma são responsabilidades exclusivas do empregador.
Ficou encaminhado que o debate sobre a NR-1 e as demais reivindicações apresentadas nesta negociação será retomado na primeira mesa da Campanha Salarial dos Bancários 2026, prevista para ocorrer entre o final de junho e o início de julho.

