Bancários alcançam aumento real para 2026 e 2027, mantêm direitos e avançam em novas conquistas
Após meses de exaustivas negociações, os representantes dos trabalhadores conquistaram, na 13ª mesa da Campanha Salarial dos Bancários 2026/2027, uma proposta com reposição total da inflação (INPC) mais aumento real de 0,60%, em 2026 e também 2027, para salários e todas as demais verbas, incluída a PLR (tanto na regra básica, quanto na parcela adicional) e os vales refeição e alimentação, derrotando assim a tentativa dos banqueiros de impor um arrocho salarial (perdas reais para salários e todas as verbas).
Assembleia do dia 31 cancelada
A assembleia destinada à deliberação sobre as propostas, inicialmente prevista para esta segunda-feira, dia 31, deverá ser transferida para sexta-feira, dia 4, garantindo ao Sindicato o tempo necessário para analisar cuidadosamente os termos apresentados. Todas as informações constarão no novo edital, que será publicado em breve.
Para além das cláusulas econômicas, a proposta garante a manutenção de todos os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho e prevê avanços como a participação efetiva dos trabalhadores e seus sindicatos no programa de gerenciamento de riscos (PGR); gestão ética da tecnologia; direito à desconexão; requalificação e realocação profissional; e o encarecimento das demissões para os bancos, com indenização adicional aos bancários (leia mais abaixo).
O movimento sindical avalia que – em um cenário no qual a categoria não conta com a ultratividade (garantia da validade de um acordo coletivo de trabalho, além da sua vigência, até a assinatura da sua renovação) – conquistar o aumento real, a manutenção de todos os direitos e ainda avançar em relação à saúde e cláusulas sociais é um saldo positivo para a Campanha dos Bancários 2026.
CCT dos bancários: 85% de cláusulas acima da CLT
A CCT dos bancários tem 85% de suas cláusulas que garantem direitos acima da CLT. A preservação de todos estes direitos, o aumento real e as novas conquistas são fruto da unidade nacional e capacidade de negociação. A categoria unida, bancários de bancos públicos e privados, espalhados por todo o país, representados com muita responsabilidade pelo movimento sindical, dentro de um contexto adverso, protegeram a nossa CCT e impediram o arrocho salarial.
Caso aprovada, a proposta de aumento real para esse e o próximo ano fará com que a categoria bancária acumule, entre 2004 (início da mesa única) e 2027, um reajuste total de 286,5%, com 25% de aumento real. Para o piso, o ganho real chegaria a 47,1%.
A inflação (INPC) para a data-base dos bancários (1º de setembro) será divulgada no dia 11 de setembro, quando será possível definir qual será o reajuste total (INPC + 0,6% de aumento real) para salários e demais verbas em 2026.
Avanços em saúde e cláusulas sociais
– Saúde mental: Participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, da nova Norma Regulamentadora nº 1 (RN-1), com objetivo de reduzir o adoecimento mental na categoria.
– Combate ao assédio: O banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral e sexual (e conquistado da Campanha Nacional de 2024) para receber também denúncias sobre atos praticados por clientes contra os funcionários.
– Monitoramento digital: Transparência e limites à vigilância a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho, direito à feedback e gestão humana, com o objetivo da gestão ética da tecnologia, para proteção aos bancários.
– Direito à desconexão: Para que bancários e bancárias tenho seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado, por exemplo, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, seja de clientes, seja de gestores.
– Paralisação do dia 20 de agosto: caso aprovada a proposta, a Fenaban garantiu que o dia de paralisação será abonado.
Programa de indenização, requalificação e recolocação no mercado de trabalho
Em caso de demissão de bancários em virtude do fechamento de uma agência, ficaram acordadas duas medidas:
Um programa de requalificação e recolocação profissional, com a contratação de uma consultoria internacional (Gi Group), que irá elaborar planos para cada trabalhador, com diagnósticos, entrevistas e planos de realocação individual. Os trabalhadores terão ainda acesso a uma plataforma de cursos e serão cadastrados em um banco de talentos, de forma a conectá-los com empresas que necessitem de suas competências.
Indenização adicional, além do já previsto na CCT, conforme tabela abaixo:

Esta é uma importante conquista para encarecer as demissões, realocar o trabalhador demitido no mercado de trabalho e oferecer uma compensação financeira. É mais dinheiro no bolso do bancário em um momento que sabemos ser delicado na vida de qualquer pessoa. Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os maiores bancos fecharam 9,5 mil agências. Destas, 669 foram encerradas no primeiro semestre de 2026.
Bancários enfrentaram duras negociações e derrotaram ataques
O processo negocial deste ano foi particularmente difícil, com 13 rodadas de negociação, as quais duraram pelo menos 8 horas cada uma, e oito propostas rejeitadas.
A negociação que culminou na proposta final dos banqueiros começou no início da tarde de sexta (28), se estendeu por todo o dia e noite, varou a madrugada e foi encerrada somente na noite de sábado (29), com duração total de 32 horas.
Desde o início das negociações, os sindicalistas enfrentaram e venceram ataques à mesa única de negociação; derrotou a estratégia da Fenaban em levar o processo negocial até uma data próxima da data-base da categoria, valendo-se do fim da ultratividade; não se curvou às ameaças de judicialização; barrou a tentativa de dividir a categoria por faixas salariais; e superou propostas que iniciaram com uma perda real de 1,5% para a categoria, rebaixavam o vale-alimentação, congelavam a PLR e retiravam direitos.

CONTEC
Fenaban propõe INPC + 0,6% para 2026 e repete ganho real em 2027
Após cerca de 34 horas de negociação, a Fenaban apresentou neste sábado (29) uma proposta para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários. O texto prevê 100% do INPC mais 0,6% de ganho real em 2026 e a repetição da fórmula em 2027, com reposição integral da inflação acrescida de 0,6%. O reajuste alcança salários, vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O índice definitivo de 2026 será conhecido após a divulgação do INPC referente à data-base da categoria.
A proposta foi apresentada depois de uma rodada iniciada às 9h de sexta-feira (28), que atravessou a madrugada e seguiu durante o sábado. Ao longo da Campanha Salarial, a CONTEC rejeitou propostas consideradas insuficientes e manteve a cobrança por reposição integral da inflação, ganho real e preservação dos direitos previstos na CCT. Além das cláusulas econômicas, o texto mantém a Convenção Coletiva e incorpora mudanças negociadas em temas como emprego, fechamento de agências, riscos psicossociais, teletrabalho, direito à desconexão e combate ao assédio.
Entre os pontos incluídos está a criação de medidas específicas para trabalhadores desligados em razão do fechamento de agências, com ações de qualificação e apoio à recolocação profissional. A proposta também trata da criação do cargo de Atendente de Agência. Na área de saúde, a nova CCT deverá incorporar regras relacionadas aos riscos psicossociais previstos na NR-1, com acompanhamento dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O texto também reforça o direito à desconexão, estabelecendo que o bancário não será obrigado a responder demandas profissionais fora da jornada.
No teletrabalho, foram negociados limites para o monitoramento digital, com vedação à utilização de imagens ou áudios para fiscalização da jornada. As regras contra o assédio também serão ampliadas para incluir situações de violência ou assédio praticadas por clientes contra trabalhadores bancários. Além disso, a proposta prevê ainda o abono da paralisação de 20 de agosto nas bases em que o acordo for aprovado nas assembleias.
Para o presidente da CONTEC, Lourenço Prado, o resultado mostra que a negociação avançou em relação às propostas apresentadas anteriormente pelos bancos.
“Conseguimos garantir a reposição integral da inflação, ganho real nos dois anos e preservar direitos importantes da Convenção Coletiva. Foi uma negociação longa e difícil, mas agora cabe aos bancários avaliar o conjunto negociado e decidir nas assembleias”, afirma.
Com a apresentação da proposta pela Fenaban, a CONTEC encaminhará o resultado às entidades para apreciação e deliberação da categoria. A palavra final será dos bancários.

