Campanha SalarialSindicato

Fenaban congela piso, tenta dividir bancários e tem proposta rejeitada na 7° rodada

CONTEC

Fenaban congela piso, tenta dividir bancários e tem proposta rejeitada pela CONTEC

A Fenaban chegou à mesa de negociação nesta quinta-feira (13) com uma proposta que, em vez de avançar na valorização dos bancários, abriu uma nova frente de confronto com a categoria. Os bancos propuseram reajustes diferentes de acordo com a faixa salarial, nenhum aumento para o piso e uma correção considerada insuficiente para vale-refeição e vale-alimentação, mas a CONTEC rejeitou a proposta ainda na mesa de reunião realizada em São Paulo.

Para o presidente da CONTEC, Lourenço Prado, não havia espaço para aceitar uma proposta que deixa justamente o piso salarial sem qualquer correção e cria tratamentos diferentes dentro da própria categoria.

“A proposta que a Fenaban apresentou hoje em mesa foi rejeitada, porque, primeiramente, não haver reajustamento salarial para o piso é inaceitável. O reajustamento da cesta alimentação e do vale-ticket na forma proposta pela Fenaban também é inaceitável.”

Lourenço também criticou diretamente a tentativa de criar percentuais diferentes para salários maiores, médios e menores.

“Esse projeto ‘Robin Hood’ não funciona, você tirar de quem ganha mais para quem ganha menos.”

O secretário-geral da CONTEC, David Zaia, foi ainda mais direto ao classificar essa nova apresentação dos bancos como “uma proposta ridícula”. Zaia afirmou ainda que a CONTEC não aceita a divisão dos trabalhadores por faixa salarial, nem o congelamento do piso.

“A gente precisa de uma participação mais ativa ainda nesta campanha salarial, com manifestações, com protestos, para que a gente possa, na próximas negociações, ter uma proposta dos bancos que atenda às nossas reivindicações, que são aumento que reponha a inflação e tenha aumento real, valorização do tíquete e valorização do piso. Participem, a opinião de cada um de vocês é importante para embasar os rumos da mesa de negociação”, disse.

O presidente da FEEB-PR, Gladir Antônio Basso, também classificou a proposta como incompatível com os resultados do setor financeiro e relacionou a postura dos bancos ao fechamento de agências e à redução dos postos de trabalho no setor em todo país.

“Se nós vermos que, em julho de 2026, foram 67 agências fechadas, consequentemente milhares de bancários sendo desempregados, e essa condição que hoje deveria apresentar uma proposta não aconteceu.”

Na mesma linha, o presidente da FEEB AL/PE/RN, Luiz Gustavo de Pádua Walfrido, acusou a Fenaban de tentar dividir os bancários e prolongar uma negociação que já deveria ter avançado para uma proposta econômica concreta.

“Infelizmente, a Fenaban vem com mais enrolação. Apresenta uma proposta para dividir a categoria e sugere reajuste escalonado por faixa salarial. Estamos aqui para melhorar a vida dos bancários, não para colocarmos todos eles em cheque. Isso não pode acontecer”, destacou.

A próxima rodada será no dia 18 de agosto.


CONTRAF

Banqueiros apostam na divisão da categoria e não apresentam índice

Na sétima rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários, realizada nesta quinta-feira, 13 de agosto, a Fenaban (federação dos bancos), mesmo com o compromisso assumido em mesa de negociação anterior, não apresentou proposta de índice de reajuste para salários e demais verbas.

Entretanto, trouxe para a mesa propostas que atacam a unidade e os direitos da categoria: modelo de reajuste diferenciado em três faixas salariais (menores salários, salários intermediários e maiores salários); reajuste dos vales alimentação e refeição também de acordo com três faixas salariais; e congelamento do piso de ingresso.

Primeiras propostas dos banqueiros

No início da negociação, a Fenaban apresentou 13 “premissas” para que os banqueiros apresentem uma proposta global aos bancários sobre questões debatidas nas mesas de negociação anteriores.

São elas: saúde mental dos bancários; assédio, discriminação e violência; igualdade para as mulheres; monitoramento digital; direito à desconexão; garantia de compensação adicional aos trabalhadores afetados pelo fechamento de agências e postos de atendimento; atuação dos sindicatos e bancos contra assimetrias que prejudicam os trabalhadores; PLR; auxílio-alimentação e refeição; salário de ingresso; reajustes de salários; manutenção de benefícios e vantagens previstos nas Convenções Coletivas dos bancários; e compromisso com a conclusão dos acordos dentro do prazo, garantindo os pagamentos e a manutenção de benefícios.

Dentre as premissas apresentadas, algumas apresentam avanços construídos ao longo das negociações. Porém, ao entrar na pauta econômica, o tema do dia, a Fenaban apresentou suas primeiras propostas, que também atacavam os direitos dos bancários e a unidade da categoria.

Os banqueiros chegaram a propor reduzir os vales alimentação e refeição para bancários de municípios e estados menores, admitindo aumentar os valores apenas nas grandes capitais.

“Eles não querem aumentar o custo. Querem simplesmente usar o mesmo valor pago hoje com os vales, tirando de alguns trabalhadores para pagar para outros, como se alguns pudessem comer melhor que outros”, criticou a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

A Fenaban chegou, ainda, a ameaçar ir ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse acordo para os modelos de reajustes propostos. Mas, depois de um intervalo durante a negociação de hoje, recuou.

Reajuste por faixa salarial e salário de ingresso congelado

Após pausa para almoço, os banqueiros retornaram à mesa de negociação com novas propostas, mas que também dividem a categoria e atacam direitos:

Reajuste diferenciado de acordo com a remuneração do bancário, separando a categoria em três faixas salariais: menores salários, salários intermediários e maiores salários, sem indicar o índice de reajuste aplicado a cada uma delas. O mesmo valendo para os vales refeição e alimentação;

Piso de ingresso congelado. Ou seja, sem reajuste nenhum.

“Não aceitamos qualquer proposta de modelo diferenciado de reajuste que divida os bancários por faixa salarial, ainda mais sem apresentar o índice para cada uma das faixas. Os bancários e bancárias querem e merecem aumento real para todos; valorização do piso para todos; valorização da PLR para todos; valorização do VA e VR para todos. Defendemos a manutenção da nossa pauta de reinvindicações, com valorização para todos, sem diferenciação”, diz Neiva Ribeiro.

Banqueiros podem atender as reinvindicações

A Fenaban voltou a justificar a sua dificuldade em atender a reinvindicação dos bancários por aumento real apontando um cenário de concorrência com outros atores do sistema financeiro, juros altos e inadimplência.

O Comando Nacional dos Bancários rebateu a narrativa dos banqueiros destacando que o lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil e nas cooperativas R$ 173 mil, uma diferença de 153% em favor dos bancários. Em outras palavras, os empregados dos bancos são muito mais produtivos e lucrativos do que os empregados das cooperativas.

Além dos dados referentes à lucratividade dos bancos em 2025 – quando o setor bancário registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões e patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão – os balanços semestrais de 2026 também demonstram que os banqueiros podem valorizar a categoria com aumento real e melhores condições de trabalho.

Bradesco, Itaú e Santander, os três maiores bancos privados que atuam no Brasil, registraram lucro líquido conjunto de R$ 45,4 bilhões no primeiro semestre de 2026. O resultado representa crescimento de 7,8% na comparação com o mesmo período do ano passado e foi divulgado justamente em meio à Campanha Nacional dos Bancários 2026, quando a categoria reivindica aumento real para salários, demais verbas e melhores condições de trabalho.

Já o Banco do Brasil teve lucro de R$ 7,3 bilhões no 1º semestre de 2026. No segundo trimestre deste ano, o banco público registrou lucro de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% na comparação anual e de 13,9% em relação ao trimestre anterior.

A Caixa ainda não divulgou seu balanço semestral. No primeiro trimestre do ano, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, crescimento de 25,4% em relação ao quarto trimestre de 2025.

“O setor bancário lucro R$ 174 bilhões ano passado. Não tem sentido apresentar uma proposta rebaixada. Por que não tirar dos altos executivos, então, para pagar o reajuste que a categoria bancária exige e tem de direito?”, destaca Juvandia Moreira, lembrando que a remuneração média per capita anual paga à diretoria estatutária dos três maiores bancos privados do país chegará a R$ 12,5 milhões em 2026. “Esse valor é mais de 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário, considerando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR. É uma diferença salarial que mostra onde os bancos estão escolhendo concentrar a renda”, completou.

Bancários Joinville

Seja sócio, seja sócia do nosso Sindicato e invista em quem te dá a segurança de estar sempre do seu lado.