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2° Rodada da Campanha Salarial 2026: Fenaban rejeita avanços

CONTEC

CONTEC leva mais 35 itens à mesa em nova rodada de negociação com a Fenaban

A CONTEC participou, na última terça-feira (7), em São Paulo, da segunda reunião de negociação com a Fenaban no âmbito da Campanha Salarial 2026. Na rodada, foram debatidos aproximadamente 35 itens da pauta de reivindicações dos bancários, distribuídos em cinco eixos considerados centrais para a categoria.

Segundo o presidente da CONTEC, Lourenço Prado, essa rodada serviu para retomar os temas iniciados na primeira reunião, realizada no dia 2 de julho, e receber as primeiras manifestações dos bancos sobre os itens apresentados: “Passamos a analisar esses cinco eixos com uma resposta da Fenaban sobre todos eles. Ainda não há uma proposta concreta dos bancos, mas há posicionamentos que serão novamente discutidos ao longo da campanha”, afirmou.

Um dos temas que seguem no centro da preocupação da CONTEC é a terceirização no sistema financeiro. Para a entidade, o avanço desse processo exige regras mais claras e mecanismos de proteção aos bancários. No eixo de jornada de trabalho, a reunião tratou de cláusulas já conhecidas das campanhas salariais anteriores. Um dos destaques foi o direito à desconexão digital. A cláusula busca assegurar que o bancário não permaneça vinculado às atividades profissionais fora da jornada contratada, especialmente diante do uso constante de computadores, celulares, sistemas e ferramentas digitais.

O teletrabalho e o trabalho híbrido também tiveram espaço na rodada. Durante a reunião, a Fenaban informou que cerca de 90 mil bancários e bancárias atuam hoje em regime de home office. Para a CONTEC, o número mostra a importância de manter e aperfeiçoar as cláusulas que tratam do tema. Prado avaliou que as regras sobre teletrabalho e trabalho híbrido precisam garantir segurança jurídica, equilíbrio nas relações de trabalho e proteção efetiva aos bancários. “Essas cláusulas deverão ser mantidas com a redação adequada, para que cada vez mais fiquem aperfeiçoadas e permitam o trabalho de forma segura, com segurança jurídica e paz social no meio dos bancários e bancárias”, disse.

A segurança bancária também integrou a pauta da reunião. O eixo tratou de sistemas, procedimentos, normas, portarias e adequações legais necessárias para garantir mais proteção nos ambientes de trabalho e nas agências. A negociação ainda passa por uma fase de debate, análise de redações e construção de cenários. Segundo Prado, a CONTEC apresentou propostas de alteração em cláusulas já existentes para adequá-las à realidade atual e ampliar a proteção aos bancários. Apesar do andamento das negociações, o presidente da CONTEC reforçou que a mobilização da categoria será decisiva para fortalecer a posição dos trabalhadores na mesa. “Nós temos que estar atentos para um aspecto: estamos negociando na mesa, argumentando, fundamentando, dando nosso ponto de vista e recebendo o feedback dos empregadores. Mas os sindicatos têm que estar atentos para um processo de mobilização, porque a mobilização ajuda na mesa”, concluiu.

A próxima reunião de negociação com a Fenaban está marcada para o dia 16 de julho, às 14h30, no Hotel Laghetto Stilo São Paulo, localizado na Rua Coronel Oscar Porto, 836, no bairro Paraíso, em São Paulo.

Fonte: CONTEC


CONTRAF

Comando Nacional exige suspensão das demissões e do fechamento de agências

Na segunda rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários, realizada nesta terça-feira (7), o movimento sindical apresentou aos bancos dados sólidos de que o setor está na contramão do mercado de trabalho. Entre 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram em 93,3 mil os postos de trabalho. No mesmo período, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências, o que representa 30 agências por semana.

“Os cinco maiores bancos estão promovendo uma acelerada redução de seus quadros de funcionários. Em apenas um ano, o Santander eliminou 6,1 mil postos de trabalho, o Itaú extinguiu 4,6 mil vagas, o Bradesco reduziu 3 mil empregos e o Banco do Brasil cortou outros 1,4 mil postos. Os números evidenciam um processo de demissões em massa, que impacta não apenas os trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento à população. Além de representar um ataque aos direitos dos trabalhadores, essa prática compromete o acesso da sociedade aos serviços bancários”, afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e coordenadora do Comando Nacional.

Neiva também observou que somente o valor arrecadado com tarifas bancárias já é mais do que suficiente para custear a folha de pagamento dos bancos. Em geral, esse montante equivale a 150% do valor da folha. Mesmo assim, os bancos argumentam que há um alto “custo de servir” e analisam os resultados das agências individualmente, em vez de considerar o conglomerado, para justificar o fechamento de agências.

Entre 2015 e maio de 2026, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências. “Esses dados apontam para uma diferença muito grande do que está acontecendo no setor bancário em relação ao que estamos vivendo no Brasil que, desde o início do governo Lula (2023), gerou 5,17 milhões de empregos formais, batendo recorde nos níveis de carteira assinada, com a baixa histórica das taxas de desocupação, do IBGE”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT. “Os números de postos fechados demonstram que Santander, Itaú e Bradesco fizeram demissão em massa o que, no entendimento da Justiça, não pode acontecer sem negociação prévia”.

A dirigente registrou ainda que a eliminação de postos de trabalho e de agências ocorre enquanto os bancos seguem batendo recordes de lucro. Só em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões.

O Comando Nacional apontou também que o aumento de contratos dos bancos com correspondentes bancários foi de 49%, entre 2015 e 2025.

“A grande questão, portanto, é que o trabalho bancário não está sendo eliminado, na verdade está sendo transferido para os correspondentes bancários e outros segmentos do ramo financeiro. Estão fechando as agências para transferir o atendimento presencial para os correspondentes. Esse movimento também abre espaço para as cooperativas de crédito, que estão cada vez mais presentes nas áreas abandonadas pelos bancos”, completou Juvandia Moreira.

Diante desse cenário, o Comando Nacional exigiu, como prova de boa-fé, que os bancos suspendam as demissões e o fechamento de agências, durante as negociações.

A Fenaban, porém, negou os pedidos. “Essa resposta não nos paralisará. O Comando Nacional continuará cobrando e acompanhando, em todo o país, os casos de demissões e fechamentos de agências, para não permitir que continuem acontecendo”, arrematou Juvandia Moreira.

Demissões em massa prejudicam mais mulheres

Neiva Ribeiro, coordenadora do Comando Nacional, destacou que 25,5 mil (79% do total) do total de postos eliminados no período de 2020 a maio de 2026 eram mulheres.

“Os bancos vão acabar com as mulheres na categoria? De 2024 para 2025, a participação de mulheres na categoria caiu de 49% para menos de 47%. Esses números mostram que uma parte importante dos nossos esforços na mesa de Igualdade de Oportunidades está sendo inviabilizado pelas demissões em massa. Mostram também que os bancos estão concentrando cada vez mais os ganhos de produtividade obtidos com a tecnologia, e não cumprindo com a responsabilidade social de dividir esses ganhos com a população e com os trabalhadores”, reforçou Neiva.

Fim das terceirizações e retorno das homologações nos sindicatos

O Comando Nacional reforçou a reivindicação pelo fim das terceirizações. Quem faz atividade bancária deve ser reconhecido como bancário, com todos os direitos da categoria.

Os representantes dos trabalhadores exigiram ainda o retorno das homologações nas entidades sindicais, como proteção aos trabalhadores.

Outras exigências do Comando Nacional foram:

a) Indenização adicional em caso de demissão; e
b) Criação de um banco de talentos bancários.

Devolutivas

Ao final da mesa, os representantes da Fenaban negaram:

a) O fim das demissões e do fechamento de agências.
b) O pedido de estabilidade para toda a categoria durante o processo negocial, bem como às mulheres vítimas de violência doméstica.
c) O pedido de indenização adicional em caso de demissão.

E ficaram de avaliar:

a) O retorno das homologações nos sindicatos.
b) Reforço e ampliação das cláusulas de qualificação e requalificação de trabalhadores na área de TI.
c) Criação de um banco de talentos bancários.

As próximas mesas estão agendadas para os dias 16 de julho (igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento), 21 de julho (saúde e condições de trabalho) e 30 de julho (remuneração e clausulas econômicas).

“Precisamos da participação de todos os bancários. É fundamental que a categoria esteja atenta às convocações, pois, nos próximos dias, realizaremos plenárias e reuniões nos locais de trabalho que serão decisivas para a nossa campanha. A presença de cada trabalhador e trabalhadora é essencial para demonstrarmos a força da categoria e construirmos uma grande mobilização em defesa das nossas reivindicações.”, destacou Neiva Ribeiro.

Fonte: SEEB-São Paulo


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