Caixa Federal 7° rodada: sem nova proposta para o Saúde Caixa
CONTEC
CONTEC cobra da Caixa direito à saúde para todos e freio em cobranças fora do expediente
A CONTEC cobrou da Caixa Econômica Federal a ampliação das medidas de cuidado com a saúde para todos os empregados e a criação de limites claros para cobranças de resultados fora do expediente. Os temas foram discutidos nesta quarta-feira (19), durante a sétima rodada da mesa específica de negociação com o banco.
O Saúde Caixa, um dos principais pontos em debate na campanha deste ano, ficou fora da pauta desta reunião, o que foi repudiado pelos representantes sindicais em mesa. As discussões se concentraram na política de cuidado com os empregados, saúde ocupacional e regras para o monitoramento de resultados. A Caixa apresentou proposta para permitir que empregados com deficiência (PCDs) tenham um dia de liberação da jornada para consultas e exames de saúde. A Confederação considerou a iniciativa positiva, mas defendeu que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional.
“Entendemos que é uma proposta boa, mas precisa ser estendida a todos os empregados da Caixa, e não apenas aos PCDs. Todos precisam ter essa política de cuidado, poder cuidar da saúde, fazer exames e consultas sem precisar se preocupar com a ausência no trabalho”, afirmou William Louzada, coordenador da mesa de negociação da CONTEC/Caixa.
A representação dos empregados também cobrou uma política de saúde ocupacional com caráter mais preventivo. A reivindicação é para que os programas adotados pela Caixa, como o acompanhamento periódico de saúde, não funcionem apenas como cumprimento de exigências legais, mas permitam a identificação de riscos e o acompanhamento efetivo das condições de saúde dos trabalhadores.
“Não pode ser apenas uma política para cumprir a legislação. É preciso que seja uma política de cuidado e prevenção, com acompanhamento da saúde do empregado e da empregada, inclusive para prevenir doenças e cuidar de quem já esteja em tratamento”, disse Louzada.
Outro ponto que ganhou espaço na negociação foi o monitoramento de resultados. A entidade sindical defendeu que gestores e gerentes não recebam cobranças profissionais fora da jornada e que as comunicações relacionadas a metas e desempenho ocorram exclusivamente pelos canais corporativos da Caixa. A proposta em discussão busca impedir cobranças por WhatsApp, redes sociais ou outros meios particulares, especialmente após o encerramento do expediente. A redação da cláusula ainda está em construção entre as partes.
As negociações específicas com a Caixa serão retomadas na próxima terça-feira, 25 de agosto, em São Paulo, com previsão de continuidade ao longo da semana.
CONTRAF
Caixa frustra empregados sem nova proposta para o Saúde Caixa
A Caixa Econômica Federal frustrou a expectativa das empregadas e empregados ao encerrar, nesta quarta-feira (19), em São Paulo, a sétima rodada de negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026 sem apresentar uma nova proposta para o Saúde Caixa. O plano de saúde era o tema mais aguardado pela categoria, depois de a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) rejeitar as propostas apresentadas pelo banco nas duas rodadas anteriores.
A expectativa aumentou ainda mais porque, antes da reunião, a própria Caixa havia enviado comunicado aos empregados indicando que a mesa trataria de possíveis soluções para o Saúde Caixa. Ao final, porém, nenhuma nova proposta foi apresentada. A previsão é de que o tema volte à mesa no dia 25.
“Existe uma expectativa enorme da base por uma proposta melhor, que mantenha o Saúde Caixa viável e sustentável e, ao mesmo tempo, permita que as pessoas permaneçam no plano. As duas últimas propostas transferem o aumento dos custos para os empregados. A Caixa alimentou a expectativa de que haveria avanço nesta reunião e encerrar a mesa sem proposta gera frustração e uma preocupação muito grande”, afirmou a diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.
A representação dos empregados continua cobrando uma solução que aumente a participação da Caixa no financiamento do plano e não transfira para trabalhadores, aposentados e pensionistas os sucessivos aumentos das despesas assistenciais. O atual acordo limita a participação do banco a 70% das despesas ou a 6,5% da folha de pagamentos e proventos, prevalecendo o menor valor. Desde a primeira rodada da Campanha, a CEE cobra que a Caixa aumente sua participação no custeio do Saúde Caixa.
PCDs
Na reunião, a Caixa apresentou propostas relacionadas às pessoas com deficiência (PCDs), entre elas a ampliação das possibilidades de ausências justificadas para cuidados com a própria saúde. O banco também propôs reforçar em acordo coletivo que o monitoramento de metas e resultados e as cobranças de trabalho não sejam realizados fora da jornada. A CEE considerou positivas as iniciativas, mas cobrou aperfeiçoamentos.
Para a representação dos empregados, a proposta para PCDs é um avanço tímido, que ainda não contempla pontos importantes da pauta. Uma das questões apontadas é que o teletrabalho precisa ser disponibilizado aos empregados PCDs em todas as áreas e unidades da Caixa, como medida de adaptação às necessidades desses trabalhadores. Outro ponto é avançar na redução de jornada para os próprios empregados PCDs.
Direito à desconexão
Os representantes dos empregados cobraram que o direito à desconexão alcance todo o quadro de pessoal e não fique restrito ao bloqueio dos sistemas depois do registro do ponto. E destacaram que é preciso impedir que notificações do Outlook e do Teams continuem chegando nos fins de semana, feriados e períodos de descanso, além de acabar com cobranças por canais não institucionais, como o WhatsApp. Os trabalhadores reforçaram que o direito à desconexão precisa virar uma cultura institucional de proteção à saúde mental, e não apenas uma cláusula no acordo.
Também foi cobrado do banco o fim de controles paralelos de metas e a revisão de critérios do Alcance.Caixa que possam punir equipes em razão de denúncias de assédio. Para a representação sindical, vincular ocorrências dessa natureza à pontuação das unidades pode inibir denúncias e acabar penalizando a própria vítima e seus colegas.
O Sindicato, por meio da CEE, voltou a cobrar em mesa que o Super Caixa seja negociado com a representação dos trabalhadores. Hoje o programa é feito pela Caixa, sem participação dos empregados. A proposta da representação dos empregados é o “Vendeu, Recebeu” e Bônus Caixa para todos.
Sobrecarga precisa ser enfrentada
A representação dos trabalhadores chamou atenção para a sobrecarga nas plataformas digitais da Caixa. E apresentou dados de unidades com milhares de atendimentos mensais e fortes diferenças na quantidade de clientes atendidos por empregado.
Números que constatam a sobrecarga: equipes pequenas atendendo milhares de clientes por mês e uma diferença muito grande de carga entre as plataformas. Os trabalhadores destacaram que há situações com mais de 600 atendimentos por empregado.
A CEE ressaltou que condições inadequadas de trabalho, sobrecarga e pressão por resultados são realidade não apenas nas plataformas digitais, mas em toda a rede de agências (físicas e digitais), e que isso têm reflexos no adoecimento do quadro e, consequentemente, nos custos assistenciais do próprio Saúde Caixa.
Respostas não podem continuar sendo adiadas
Ao final da reunião, a CEE voltou a cobrar respostas para todas as demais reivindicações da minuta específica dos empregados da Caixa, entre elas as relacionadas a PFG, PCS e PSI, fim do atendimento simultâneo presencial e digital, remuneração variável, Super Caixa, PLR Social, contratações, condições de trabalho e valorização da negociação permanente.
A pauta específica foi entregue à Caixa em 24 de junho, no mesmo dia em que o Comando Nacional dos Bancários entregou à Fenaban a pauta nacional da categoria. Também foi entregue à Fenaban uma proposta de pré-acordo que prevê a manutenção da data-base em 1º de setembro, a retroatividade do que vier a ser negociado e a continuidade das cláusulas atuais até a assinatura de um novo instrumento coletivo.
A preocupação é agravada pelo fim da ultratividade imposto pela Reforma Trabalhista de 2017. A alteração do artigo 614 da CLT passou a vedar expressamente que as normas coletivas continuem valendo automaticamente depois de encerrada sua vigência.
Na avaliação da representação sindical, o adiamento sucessivo de respostas pela Caixa e pela Fenaban, sem uma garantia de ultratividade, aumenta a pressão do calendário e pode ser usado para tentar empurrar a categoria para a aceitação de qualquer proposta diante da proximidade do fim dos acordos. A Contraf-CUT alerta que, sem essa proteção, o término da vigência dos instrumentos coletivos pode ser utilizado como mecanismo de pressão na negociação.

