2° Rodada da Campanha Salarial 2026: Fenaban rejeita avanços
CONTEC
Fenaban rejeita avanços nas cláusulas de proteção ao emprego
A Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Santa Catarina (FEEBSC) participou, nesta terça-feira (7), da segunda rodada de negociações da Campanha Salarial 2026 entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC) e a Federação Nacional dos Bancos (FENABAN).
A rodada foi marcada por um grande impasse nas discussões das cláusulas sociais da Convenção Coletiva de Trabalho. Ao longo da reunião, foram debatidas varias cláusulas, abrangendo os eixos de Emprego e Garantias de Trabalho, Jornada de Trabalho, Teletrabalho e Trabalho Híbrido, Condições de Trabalho e Segurança Bancária.
Entre os principais temas defendidos pela CONTEC estiveram a garantia de emprego e a vedação da dispensa imotivada, o combate à terceirização no sistema financeiro, a estabilidade provisória, a proteção dos trabalhadores diante dos impactos da inteligência artificial e das mudanças tecnológicas, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o direito à desconexão, a ampliação de licenças, a regulamentação do teletrabalho e o fortalecimento da segurança nas agências bancárias.
Ao final da rodada, não houve avanços nas reivindicações apresentadas pela CONTEC. A FENABAN não acatou os pleitos relacionados às cláusulas de garantia de emprego, redução da jornada de trabalho e estabilidade, alegando que a ampliação dessas garantias elevaria os custos das instituições financeiras e poderia resultar na redução do número de empregados no setor.
A representação dos trabalhadores rebateu esse entendimento, defendendo que proteger o emprego e fortalecer as garantias dos bancários não representa um custo para o sistema financeiro, mas sim um investimento na valorização das pessoas que sustentam diariamente o funcionamento das instituições. A CONTEC destacou que a categoria enfrenta um cenário de redução constante dos quadros de funcionários, fechamento de agências, aumento da sobrecarga de trabalho, intensificação das metas e rápidas transformações tecnológicas, tornando ainda mais necessária a adoção de mecanismos que assegurem estabilidade e melhores condições de trabalho.
Outro ponto amplamente defendido durante a negociação foi a ampliação do reconhecimento como bancários de todos os trabalhadores que atuam em instituições financeiras autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil. O presidente da CONTEC, Lourenço do Prado, solicitou que a FENABAN avalie essa reivindicação, que abrange os empregados das cooperativas de crédito e de outras instituições do sistema financeiro. A proposta busca garantir que esses trabalhadores sejam contemplados pela Convenção Coletiva dos Bancários, construída ao longo de décadas de negociação e de luta sindical, assegurando os mesmos direitos e garantias já conquistados pela categoria.
Lourenço do Prado também solicitou que a FENABAN reavalie a proposta de inclusão da cláusula do direito à desconexão, considerada essencial para preservar a saúde física e mental dos trabalhadores diante da crescente utilização de ferramentas digitais e da ampliação do trabalho remoto e híbrido.
Em Santa Catarina, essa discussão possui grande relevância. Atualmente, aproximadamente 32% dos trabalhadores do ramo financeiro atuam em bancos, enquanto 68% exercem suas atividades em cooperativas de crédito, evidenciando a necessidade de ampliar a proteção coletiva para todos os profissionais do sistema financeiro.
O presidente da FEEBSC e integrante da mesa de negociação da CONTEC, Armando Machado Filho, destacou que, apesar da ausência de avanços nesta rodada, a representação dos trabalhadores permanecerá firme na defesa da categoria.
“Debatemos cláusulas fundamentais para o presente e o futuro dos trabalhadores do ramo financeiro. Defendemos a garantia de emprego, a redução da jornada de trabalho, a estabilidade, o direito à desconexão e a ampliação dos direitos para todos os profissionais que atuam em instituições financeiras. Infelizmente, a FENABAN não acolheu os pleitos apresentados pela CONTEC nesta rodada. Também reforçamos a necessidade de reconhecer como bancários os trabalhadores das cooperativas de crédito e das demais instituições autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central. Em Santa Catarina, essa é uma pauta estratégica, pois cerca de 68% dos trabalhadores do ramo financeiro estão nas cooperativas. Nossa missão é fortalecer uma Convenção Coletiva que acompanhe a evolução do sistema financeiro sem abrir mão da valorização do trabalho, da proteção ao emprego e dos direitos conquistados ao longo de décadas de negociação. Seguiremos firmes nas próximas rodadas, defendendo uma negociação equilibrada, responsável e que traga resultados concretos para toda a categoria.”
As negociações da Campanha Salarial 2026 terão continuidade nas próximas rodadas entre CONTEC e FENABAN. A FEEBSC seguirá acompanhando as discussões e manterá os bancários catarinenses informados sobre todos os desdobramentos da negociação por meio de seus canais oficiais.
A próxima rodada de negociação foi agendada para o dia 17/06, às 10h, em São Paulo.
Fonte: CONTEC
CONTRAF
Comando Nacional exige suspensão das demissões e do fechamento de agências
Na segunda rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários, realizada nesta terça-feira (7), o movimento sindical apresentou aos bancos dados sólidos de que o setor está na contramão do mercado de trabalho. Entre 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram em 93,3 mil os postos de trabalho. No mesmo período, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências, o que representa 30 agências por semana.
“Os cinco maiores bancos estão promovendo uma acelerada redução de seus quadros de funcionários. Em apenas um ano, o Santander eliminou 6,1 mil postos de trabalho, o Itaú extinguiu 4,6 mil vagas, o Bradesco reduziu 3 mil empregos e o Banco do Brasil cortou outros 1,4 mil postos. Os números evidenciam um processo de demissões em massa, que impacta não apenas os trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento à população. Além de representar um ataque aos direitos dos trabalhadores, essa prática compromete o acesso da sociedade aos serviços bancários”, afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e coordenadora do Comando Nacional.
Neiva também observou que somente o valor arrecadado com tarifas bancárias já é mais do que suficiente para custear a folha de pagamento dos bancos. Em geral, esse montante equivale a 150% do valor da folha. Mesmo assim, os bancos argumentam que há um alto “custo de servir” e analisam os resultados das agências individualmente, em vez de considerar o conglomerado, para justificar o fechamento de agências.
Entre 2015 e maio de 2026, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências. “Esses dados apontam para uma diferença muito grande do que está acontecendo no setor bancário em relação ao que estamos vivendo no Brasil que, desde o início do governo Lula (2023), gerou 5,17 milhões de empregos formais, batendo recorde nos níveis de carteira assinada, com a baixa histórica das taxas de desocupação, do IBGE”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT. “Os números de postos fechados demonstram que Santander, Itaú e Bradesco fizeram demissão em massa o que, no entendimento da Justiça, não pode acontecer sem negociação prévia”.
A dirigente registrou ainda que a eliminação de postos de trabalho e de agências ocorre enquanto os bancos seguem batendo recordes de lucro. Só em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões.
O Comando Nacional apontou também que o aumento de contratos dos bancos com correspondentes bancários foi de 49%, entre 2015 e 2025.
“A grande questão, portanto, é que o trabalho bancário não está sendo eliminado, na verdade está sendo transferido para os correspondentes bancários e outros segmentos do ramo financeiro. Estão fechando as agências para transferir o atendimento presencial para os correspondentes. Esse movimento também abre espaço para as cooperativas de crédito, que estão cada vez mais presentes nas áreas abandonadas pelos bancos”, completou Juvandia Moreira.
Diante desse cenário, o Comando Nacional exigiu, como prova de boa-fé, que os bancos suspendam as demissões e o fechamento de agências, durante as negociações.
A Fenaban, porém, negou os pedidos. “Essa resposta não nos paralisará. O Comando Nacional continuará cobrando e acompanhando, em todo o país, os casos de demissões e fechamentos de agências, para não permitir que continuem acontecendo”, arrematou Juvandia Moreira.
Demissões em massa prejudicam mais mulheres
Neiva Ribeiro, coordenadora do Comando Nacional, destacou que 25,5 mil (79% do total) do total de postos eliminados no período de 2020 a maio de 2026 eram mulheres.
“Os bancos vão acabar com as mulheres na categoria? De 2024 para 2025, a participação de mulheres na categoria caiu de 49% para menos de 47%. Esses números mostram que uma parte importante dos nossos esforços na mesa de Igualdade de Oportunidades está sendo inviabilizado pelas demissões em massa. Mostram também que os bancos estão concentrando cada vez mais os ganhos de produtividade obtidos com a tecnologia, e não cumprindo com a responsabilidade social de dividir esses ganhos com a população e com os trabalhadores”, reforçou Neiva.
Fim das terceirizações e retorno das homologações nos sindicatos
O Comando Nacional reforçou a reivindicação pelo fim das terceirizações. Quem faz atividade bancária deve ser reconhecido como bancário, com todos os direitos da categoria.
Os representantes dos trabalhadores exigiram ainda o retorno das homologações nas entidades sindicais, como proteção aos trabalhadores.
Outras exigências do Comando Nacional foram:
a) Indenização adicional em caso de demissão; e
b) Criação de um banco de talentos bancários.
Devolutivas
Ao final da mesa, os representantes da Fenaban negaram:
a) O fim das demissões e do fechamento de agências.
b) O pedido de estabilidade para toda a categoria durante o processo negocial, bem como às mulheres vítimas de violência doméstica.
c) O pedido de indenização adicional em caso de demissão.
E ficaram de avaliar:
a) O retorno das homologações nos sindicatos.
b) Reforço e ampliação das cláusulas de qualificação e requalificação de trabalhadores na área de TI.
c) Criação de um banco de talentos bancários.
As próximas mesas estão agendadas para os dias 16 de julho (igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento), 21 de julho (saúde e condições de trabalho) e 30 de julho (remuneração e clausulas econômicas).
“Precisamos da participação de todos os bancários. É fundamental que a categoria esteja atenta às convocações, pois, nos próximos dias, realizaremos plenárias e reuniões nos locais de trabalho que serão decisivas para a nossa campanha. A presença de cada trabalhador e trabalhadora é essencial para demonstrarmos a força da categoria e construirmos uma grande mobilização em defesa das nossas reivindicações.”, destacou Neiva Ribeiro.
Fonte: SEEB-São Paulo



