Em plenária online, bancários rejeitam reajuste e exigem proposta decente da Fenaban
Bancárias e bancários de Joinville e região manifestaram forte insatisfação com a proposta econômica apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) durante as negociações da Campanha Salarial 2026. O posicionamento ocorreu em plenária informativa e organizativa promovida pelo Sindicato, na noite desta quinta-feira, dia 27, por meio do Instagram.
Vários bancários acompanharam a transmissão, que apresentou um panorama das negociações, esclareceu dúvidas e informou os próximos passos da campanha. Os participantes rechaçaram o índice oferecido pelos bancos e cobraram uma proposta que preserve o poder de compra, valorize o trabalho da categoria e reconheça os resultados do setor financeiro.
Proposta impõe perda salarial
Nas rodadas realizadas nos dias 25 e 26, a Fenaban propôs reajuste de apenas 2,57% para salários e demais verbas, com exceção dos vales Alimentação e Refeição.
O percentual corresponde a somente 62% da inflação estimada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para a data-base da categoria. Na prática, a proposta representaria uma redução real de aproximadamente 1,5% nos salários dos bancários.
Para o Vale-Alimentação, os bancos ofereceram reajuste de 2,99%, baseado na estimativa do IPCA para alimentação no domicílio. Já para o Vale-Refeição, o índice apresentado foi de 4,5%, correspondente à projeção da inflação da alimentação fora do domicílio.
Rejeitada pela CONTEC ainda na mesa de negociação, a proposta também recebeu uma resposta inequívoca dos trabalhadores: a categoria não aceita pagar a conta enquanto os bancos permanecem entre as empresas mais lucrativas e rentáveis do país.
Categoria exige uma proposta decente
Ao longo dos 40 minutos de transmissão, o presidente do Sindicato dos Bancários de Joinville e Região, Valdemar Luz, apresentou um histórico da Campanha Salarial, abordou os impactos da reforma trabalhista sobre a organização sindical e explicou as consequências do fim da ultratividade das normas coletivas.
Também relembrou a histórica greve de 2016, destacou a renovação das lideranças sindicais e reforçou que a participação dos trabalhadores será decisiva para aumentar a pressão sobre os bancos.
“Os bancários não estão pedindo nenhum privilégio. Estamos exigindo que os salários acompanhem, no mínimo, o aumento do custo de vida e que parte dos resultados extraordinários dos bancos seja reconhecida na remuneração de quem produz esses resultados. Oferecer apenas 62% da inflação significa propor uma redução salarial. Isso é incompatível com a realidade de um setor que continua acumulando lucros bilionários”, afirmou Valdemar.
Durante a plenária, participantes apoiaram a atuação do Sindicato e criticaram duramente a proposta rebaixada da Fenaban. As manifestações destacaram que os bancos possuem plenas condições financeiras para atender às reivindicações e valorizar seus empregados.
Os trabalhadores também defenderam reajustes mais expressivos nos vales Alimentação e Refeição, além de uma Participação nos Lucros e Resultados compatível com o desempenho financeiro das instituições.
Informação segura fortalece a mobilização
Outro ponto abordado pelo presidente foi a circulação de boatos e informações falsas durante a Campanha Salarial. Segundo Valdemar, mensagens sem origem identificada, relatos não confirmados sobre paralisações e afirmações de que determinadas agências ou cidades estariam em greve durante esta semana apenas confundem os trabalhadores e enfraquecem a organização nacional.
“Uma campanha salarial séria precisa de mobilização, mas também de responsabilidade. Informações falsas sobre agências fechadas, supostas greves ou decisões que não foram tomadas criam insegurança e podem dividir a categoria. Antes de compartilhar qualquer mensagem, o bancário deve verificar sua procedência e consultar os canais oficiais do Sindicato. A verdade organiza; o boato desmobiliza”, alertou.
O Sindicato acompanha todas as rodadas de negociação e publica os detalhes da Campanha Salarial em seu site e em suas redes sociais — Instagram, Facebook e X. Os associados também recebem informações diretamente pelo WhatsApp da entidade.
União para avançar nas negociações
Ao final da plenária, os participantes reforçaram a necessidade de união e demonstraram disposição para ampliar a mobilização, tanto nas ruas quanto nas redes sociais. Para os trabalhadores, o momento exige participação, diálogo com os colegas e pressão organizada para que a Fenaban apresente uma proposta realmente justa.
“Os bancários estão indignados com uma proposta que impõe perda salarial justamente a quem produz diariamente os resultados dos bancos”, resumiu um dos participantes.
O Sindicato seguirá acompanhando as negociações, divulgando informações verificadas e convocando a categoria sempre que novas mobilizações forem necessárias. A participação de cada bancária e de cada bancário será fundamental para transformar a indignação em força coletiva e garantir avanços na mesa de negociação.

