Greve histórica da Caixa chega no sexto dia com 100% das agências fechadas na base de Joinville
Araquari e Itapoá aderem ao movimento no sexto dia de paralisação; Caixa convoca nova negociação para esta quarta-feira (16)
A greve nacional das empregadas e dos empregados da Caixa Econômica Federal alcançou uma marca histórica nesta terça-feira (15) na base do Sindicato dos Bancários de Joinville e Região. No sexto dia de paralisação, todas as 15 agências abrangidas pela entidade estão fechadas.
As unidades de Araquari e Itapoá, que ainda mantinham atendimento, aderiram ao movimento e completaram a mobilização em toda a base. Com isso, a greve alcançou 100% das agências da Caixa representadas pelo Sindicato, demonstrando a crescente disposição dos trabalhadores para defender o Saúde Caixa, os direitos históricos e a valorização de todo o quadro de pessoal.
“É uma luta que já entrou para a história. Quero parabenizar cada empregada e cada empregado da Caixa que, com coragem, consciência e unidade, ajudou a construir esta mobilização extraordinária. Chegar ao sexto dia com as 15 agências fechadas mostra que ninguém está sozinho e que a categoria não aceitará retrocessos. A força do movimento já produziu resultado: a Caixa acaba de convocar uma nova negociação para esta quarta-feira, dia 16. Esperamos que o banco compreenda o recado e apresente uma proposta digna, capaz de valorizar seus empregados e preservar os direitos conquistados”, afirma Valdemar Luz, presidente do Sindicato dos Bancários de Joinville e Região.
A nova rodada ocorre depois de a Caixa anunciar a retomada das negociações coletivas e suspender as medidas administrativas divulgadas após o impasse na renovação do Acordo Coletivo de Trabalho. Durante as tratativas, os benefícios deverão continuar sendo mantidos nas mesmas condições praticadas antes de 31 de agosto, conforme informou a CONTEC.
“Para que se construa uma solução justa para o Saúde Caixa, três medidas são indispensáveis: acabar com o teto de custeio; adotar o modelo 70/30, nos termos do artigo 6º, inciso VII, da Resolução CGPAR nº 52; e restabelecer aos colegas admitidos após janeiro de 2018 os mesmos direitos no plano. São pontos fundamentais para preservar a solidariedade entre gerações e garantir assistência digna a todos os empregados”, destaca Luz.
Movimento ganha força em todo o país
A mobilização histórica registrada em Joinville acompanha o crescimento da greve em todas as regiões do Brasil. Na base de São Paulo, Osasco e Região, 268 dos 283 locais de trabalho estavam fechados no quinto dia da paralisação. Mais de 700 empregados também participaram de um grande ato na Avenida Paulista, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo.
No Rio de Janeiro, a assembleia que decidiu pela continuidade do movimento teve participação histórica de 73,92% dos empregados da base. Entre os votantes, 87,07% escolheram manter a greve. Na segunda-feira (14), centenas de trabalhadores participaram de uma audiência pública e ocuparam as escadarias da Câmara de Vereadores, conforme registrou o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.
Em Brasília, aproximadamente 400 pessoas participaram de uma manifestação diante da sede da Caixa, enquanto no Rio Grande do Sul a paralisação alcançou a maioria das agências e ganhou força tanto em Porto Alegre quanto no interior, com atos em Pelotas e Tramandaí. Os dados foram divulgados pela Fenae e pela APCEF/RS.
O cenário confirma que a greve da Caixa já se tornou uma das mobilizações mais expressivas dos últimos anos, tanto em Joinville e região quanto nacionalmente. A categoria reivindica uma proposta que preserve o caráter solidário do Saúde Caixa, impeça a transferência de custos ainda maiores aos trabalhadores e garanta avanços nas demais questões do acordo coletivo.
Sem Saúde Caixa não dá
Conclui Valdemar: “Esperamos que a Caixa retorne à mesa com disposição verdadeira para construir soluções. O Saúde Caixa é uma questão central, e qualquer entendimento precisa assegurar a continuidade e o equilíbrio do plano, sem impor novos sacrifícios financeiros aos empregados. Nossa expectativa é que essa rodada produza avanços concretos e abra caminho para um acordo que respeite os direitos e as reivindicações da categoria”.
A convocação da nova negociação representa uma abertura importante, mas não encerra a paralisação. A greve permanece por tempo indeterminado nas 15 agências da base. Qualquer proposta apresentada pela Caixa deverá ser avaliada e decidida democraticamente pelos empregados em assembleia.

